A economia faz sentido
O lado positivo desta tendência é fácil de entender. O primeiro e mais óbvio benefício é o preço. Os provedores que não são de hiperescala e com excesso de capacidade muitas vezes não possuem as mesmas estruturas de custos, expectativas de margem ou pacotes de serviços que os principais fornecedores de nuvem. Se tiverem GPUs não utilizadas, clusters subutilizados ou recursos de energia e refrigeração ociosos, poderão estar dispostos a vender acesso a taxas substancialmente mais baixas do que o mercado tradicional de nuvem. Para as empresas sob pressão para controlar os custos de IA e de infraestrutura, isso é importante.
O segundo benefício é a eficiência. Se a capacidade já existir em algum lugar e puder ser usada por outra parte, poderemos ser capazes de satisfazer a demanda sem construir imediatamente novos data centers, implantar mais hardware ou consumir mais energia incremental do que a já comprometida. Num mercado onde a nova capacidade exige tempo, capital, licenças e planeamento energético, a reorientação do excesso de oferta existente não é apenas financeiramente atraente, é operacionalmente inteligente. Passamos anos falando sobre sustentabilidade na nuvem. Um caminho prático para a sustentabilidade é aproveitar melhor o que já está em funcionamento.
O terceiro benefício é a opcionalidade. As empresas desejam cada vez mais alternativas ao aprisionamento do hiperescalador, especialmente para cargas de trabalho especializadas, como treinamento de modelos de IA, inferência, análise e computação intermitente de alto desempenho. Se surgir um mercado mais amplo de fornecedores de capacidade, os compradores ganham vantagem. Eles podem não transferir todas as cargas de trabalho dos principais provedores, mas terão mais poder de negociação e mais flexibilidade arquitetônica.
Os desafios operacionais
O problema, claro, é que a maioria das organizações com excesso de capacidade não são fornecedores de nuvem. Eles podem possuir infraestrutura, mas possuir infraestrutura não é a mesma coisa que fornecer serviços em nuvem. Os verdadeiros provedores de nuvem oferecem automação, provisionamento, controles de identidade, cobrança, observabilidade, gerenciamento de políticas, resiliência, acordos de nível de serviço e arquiteturas multilocatárias maduras. Os fornecedores de capacidade de base normalmente não o fazem.
