Durante décadas, a engenharia de software foi atormentada pelo “teatro da produtividade”. A cada poucos anos, a indústria se alinha em torno de uma nova métrica de vaidade – geralmente uma que se apega a qualquer tecnologia que esteja em voga no momento. Para uma disciplina enraizada na criatividade e na resolução de problemas, esta é uma forma deficiente de demonstrar progresso. No entanto, encontramo-nos nesta posição mais uma vez. O padrão é muitas vezes o mesmo: procurar algo que possamos facilmente contar e, ao fazê-lo, perder de vista o que estamos realmente a tentar alcançar.
Quantidade em vez de qualidade: a medição errada, sempre
Lembro-me de quando eu era engenheiro de software, na década de 1990, um pequeno número de empresas adotou a prática de pagar seus engenheiros por cada linha de código. Isto pode ter sido o pior teatro de produtividade, levando a incentivos negativos, processos ineficientes e, em geral, uma engenharia deficiente. Os desenvolvedores foram recompensados por escrever muito mais código do que os problemas que enfrentavam exigiam – a clássica “quantidade em vez de qualidade” – e o resultado foram bases de código inchadas e frágeis que eram praticamente impossíveis de manter. O objetivo – criar software confiável que resolvesse problemas reais dos usuários – foi enterrado sob o incentivo à produção.
Então, na década de 2000, a ascensão do Agile nos trouxe story points, uma forma abstrata de estimar a complexidade, o esforço e o risco da tarefa em relação a outro trabalho. Em vez de responder “Quanto tempo isso vai demorar?”, os pontos da história pretendiam responder: “Qual é o tamanho disso em comparação com o que fizemos antes?” Essa abordagem parece boa na teoria, mas, na prática, algumas equipes de desenvolvimento aprenderam a manipular o sistema inflando estimativas, projetando soluções excessivamente para parecerem produtivas e perdendo de vista se o trabalho que produziram realmente criava valor. Mais uma vez, a métrica tornou-se o objetivo, e o objetivo real – entregar resultados importantes para o negócio – tornou-se secundário.
